É Daiana, eu vi
sua mensagem com a foto do seu namorado, dizendo que romântico
ele é. Aproveite a felicidade, sua vagabunda! Sorria aí
com seus dentes brancos, eu sei o quanto você sorria amarelo
comigo. Me ignorava, e esperava por um outro otário que
pudesse te dar mais do que você podia conseguir.
Você Daiana, no
alto de sua auto-suficiência, lançava seu sorriso falso
para quem quer que fosse, desde o pobre cachorro de rua até o
arrogante esportista da nossa série. A certeza de que era
intocável, unida com o mistério de suas intenções:
quais intenções se escondiam por detrás de
feição tão agradável, tão
solícita, tão pronta para fazer o bem a quem fosse?
Desde nossa convivência
na escola primária, a primeira vez em que te vi foi um
assombro: estava conformado com a mesmice que seria aquele ano e
todos os outros seguintes. Estava quieto na minha, era uma aula
horrível de música, apenas uma desculpa para o
proselitismo de nosso corpo docente, e logo surgiu um burburinho de
desaprovação. Me mantive alheio a tudo isso, talvez
tolo demais para entender, ou chateado demais para ter esperanças,
é o que prefiro pensar, e de repente, você, que estava
na minha frente, se vira para se expressar!
Caramba, não
consegui mais te esquecer! Desgraçada, agora o teu sorriso me
assombra! Feliz, tentador, expressivo, eu queria que tudo isso fosse
comigo! Maldosa, agora penso nele, tão longe, tão
desconhecido, provocando o meu orgulho ferido! Por que, enquanto
estava perto, era qualquer coisa, e agora que está longe eu
quero tão próxima? Por que você nunca me deixou
ter tal jóia rara? Se eu fosse mais ousado, perderia, jamais
seria tão obsessivo. Se fosse mais prudente, jamais teria nem
a chance de admirar. Talvez esse tenha sido meu grande erro: ao
tentar chegar perto, vi o quão linda é sua essência,
mas ao me aproximar, você viu a podridão de minha
presença, e teve nojo de mim. Tenho tanta vergonha de existir,
mas tanta alegria de contemplar sua maravilha, eu nunca soube o que
era ser feliz até te conhecer.
Por favor, acabe com
isso, ou pelo menos me destrua, assim eu posso ter minha vida de
volta e tentar fazer algo por ela. Estou preso a você pelo amor
que me amarra, me sufoca, e não me deixa raciocinar! Minha
única fuga é me entorpecer, mas isso me aproxima de
você e me faz chorar, chorar e chorar! Ela me compele a fazer o
que nunca sonhei tentar. Pede para eu sair do meu lugar, mas não
me orienta em nada, e não sei como me portar. Não sei o
que penso, o que julgo, só sei que amo, e amar é o que
me impele a viver, mais do que tudo. Teus olhos, tua boca, tua pele
lisa, teu cabelo tão lindo, tua alegria tão pura...
Mas saber que o que
você é não é para mim, que por mais que me
esforce, por mais que tente sair do que sou para me fazer notar por
ti, não chegará perto de te fazer me notar, sinto que a
melhor maneira talvez seja te destruir. Te aterrorizar, atormentar,
ofuscar, quem sabe assim você note que eu existo, e de alguma
forma possa me respeitar! Você é tudo para mim e não
recebo nada de você, quem sabe com minha obsessão, meu
ódio, meu desejo, você me reconheça, afinal pelo
menos isso fiz por merecer! Ficar à sua margem, Daiana, como
qualquer lacaio, não é para mim, eu quero ser o titular
que se casa contigo no terceiro ato!
Por mais que eu deseje,
por mais que eu queira, estar com você, embora almeje, nunca a
terei inteira. Pois se na ocasião de te possuir, sua mente irá
divergir e você me recusará de qualquer maneira. Menina,
mulher, senhorita, por favor me permita encontrar um modo de buscar
um fim a tudo isso. A felicidade seria um objetivo, mas não
sei que mal eu fiz, só sei que não posso ser feliz!
Mas já que não
terei o meu desejo, não importa o que eu fizer daqui por
diante, deixo para ti o meu último beijo.